Já tivemos a experiência de passar várias vezes em frente a uma montra, seja ela qual for. Na montagem da montra há sempre uma preocupação: atrair clientes. Por isso nem tudo pode ir para a montra. Se em pleno verão a montra apresenta casacos de pele, eu passo à frente. Mas se na montra seguinte estão uns bonitos cações de banho ou umas boas toalhas de praia, eu detenho-me. Na montra não colocamos qualquer coisa; na montra procuramos renovação; na montra limpamos com maior regularidade.
Depois vem o segundo momento, entramos e damo-nos conta de uma variedade que era não era visível na montra. Damo-nos conta que existem outras coisas, algumas até já fora de moda; outras em saldos porque ninguém quer. Dentro, percebemos o que é a pessoa humana, percebemos a fragilidade daqueles que estão à frente. Damo-nos conta de algumas coisas que não são assim tão perfeitas. Afinal a montra pouco tem a ver com o que encontro lá dentro. Por vezes há uma porta ao fundo: uma zona escura, que ninguém tem acesso. Lá esconde-se o que ninguém quer ver. Lá colocamos aquilo que até nos faz falta, mas que se colocarmos cá fora irá espantar a clientela.
Não vejo de outra forma: as nossas paróquias são as montras do Catolicismo. Apesar disso, nem todas são muito bem cuidadas. Mas todos os “gerentes” procuram zelas pelas suas montras: cursos, acolhimentos, preparações, festas, convívios, bênçãos, sacramentos e sacramentais… é assim que vamos procurando cativar aqueles que ora “compram” ora apenas vieram para ver. E quando entram? Passam a fazer parte de uma comunidade onde se dão conta que afinal não é assim tudo tão perfeito. Afinal os gerente não é assim tão perfeito como a montra. Afinal os produtos não são assim tão apetecíveis. Fico a pensar que talvez tenham outros produtos mas não queiram colocar cá para fora. Existirão outros produtos? Sem dúvida. Estão lá atrás guardados, atrás da tal porta, para que ninguém os veja. Os “gerentes” pensam que ninguém os quer e que só afastará os clientes. Mas que produto é esse? Descobri que se chama santidade. Cá dentro da loja há um pouco disso à “venda”, mas está “pirateado”, não é original. É que o original tem um preço alto. Nem todos os clientes querem gastar esse valor, que afinal é uma única nota: a conversão. Então os gerentes resolver fazer um produto parecido, e têm-no à venda. Mas nós queremos o original.
A paróquia jogou para trás da porta traseira esse produto valioso. E alguns estão lá escondidos a tentar adquiri-lo. Quantos grupos e movimentos eclesiais são simplesmente jogados para trás desta porta? Não convém que estejam na montra… afugentariam a clientela: lá fala-se de adoração e penitência; fala-se de pecado e julgamento; fala-se de moral sexual e bens materiais; fala-se da abertura a vida e de fidelidade conjugal. Falam-se das moedas com que podemos destrocar a tal nota. Mas os “gerentes” não são capazes de deitar este produto fora… sabem que ainda faz falta. Mas não põem na montra… porquê? Estamos na Primavera da Espiritualidade… vamos colocar a santidade na montra por favor.