29/01/26

Será só a Bíblia? Ou há mais alguma coisa?

Há uma pergunta que aparece muitas vezes, dita ou pensada em silêncio: basta a Bíblia para ser cristão? Se está tudo lá, para que serve a Igreja, a Tradição, o ensinamento contínuo ao longo dos séculos?

A resposta não é complicada, mas obriga a ajustar o foco. O cristianismo não começa com um livro. Começa com uma pessoa.

Cristo não escreveu um único texto. Não deixou um tratado. Não publicou um manual. Deixou discípulos. Chamou pessoas. Formou uma comunidade. E confiou a essa comunidade uma missão clara: anunciar, ensinar, guardar e transmitir aquilo que receberam d’Ele.

28/01/26

A história de uma vitória que não soa a bênção

Ao reler o relato da filha de Jefté (Jz 11,29-40), apercebi-me de uma coisa curiosa: o primeiro sentimento que me surgiu não foi tristeza. Foi desconforto. Um incómodo persistente, daqueles que não se resolvem com uma frase piedosa no final. A pergunta impôs-se quase de imediato: se Deus concedeu a vitória a Jefté, não estaria, de algum modo, a legitimar tudo o que veio depois? A morte daquela jovem inocente não poderia ter sido evitada?

19/01/26

Pensar o voto sem o terceirizar

Sempre que se aproximam eleições presidenciais, regressa a mesma tentação. Uns esperam que a Igreja indique caminhos concretos, quase como um boletim de voto comentado. Outros exigem um silêncio absoluto, como se a fé tivesse de ser suspensa à porta da cidadania. Nenhuma destas posições é saudável. A Igreja não vota, mas forma consciências. E uma consciência formada não precisa de ordens, precisa de critérios.